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Adeus ao Fokker 100





No final do ano passado, a TAM retirou de serviço o jato que ajudou a construir a historia da maior companhia aérea do País.

No ultimo dia 26 de Dezembro de 2007, o Fokker 100 de prefixo PT-MRB pousou 'as 13h30 no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, procedente de Florianópolis (SC). Seria mais um dentre as centenas de vôos diários no movimentado aeroporto paulista, não fosse um importante detalhe: o vôo JJ3108 era o ultimo operado por um F-100 nas cores da TAM Linhas Aéreas. Encerrrava-se, naquele momento, um importante capítulo na história da aviação comercial brasileira. Afinal, o Fokker 100 foi o jato que impulsionou a TAM, que até o início dos anos 1990 era uma pequena empresa regional, a tornar-se a maior companhia aérea do País. Embora estigmatizado no Brasil por um acidente de grandes proporções e um número de anormal de incidentes menores, os F-100 chegaram a ser best-sellers nos anos 1980 como símbolo de modernidade e eficiência. Fatores responsáveis pelo próprio crescimento da TAM. Curiosamente, o primeiro operador do F-100 no Brasil foi a regional TABA (Transportes Aéreos da Bacia Amazônica), que voou com dois jatos no início dos anos 1990. Estes aviões (prefixos PT-MCN e PT-COM) foram devolvidos ao fabricante e posteriormente retornaram ao País nas cores da TAM.


O jato da Fokker ainda voará até o próximo dia 31 de março na subsidiária TAM Mercosul, com base em Assunção, no Paraguai. Depois disso, os spotters de plantão e aficionados em geral avistarão o F-100 em operação no Brasil somente com a pintura da OceanAir. Seja como for, a imagem do Fokker 100 estará sempre associada a TAM.


Durante 16 anos, o F-100 foi a primeira plataforma ideal e um poderoso agente de mudanças para o surpreendente crescimento da empresa paulista, hoje uma das maiores do mundo. Mas o fato é que, enquanto companhias importantes -- principalmente norte-americanas - operam grandes frotas de F-100 por muitos anos, e com o mesmo índice de segurança de modelos Boeing e Airbus, o mesmo jato, nas cores da TAM, tornou-se uma espécie de "avião maldito", a partir do trágico acidente ocorrido em 31 de outubro de 1996, quando uma falha no reverso do motor direito, logo após a decolagem em Congonhas, derrubou o PT-MRK vitimando as 96 pessoas a bordo e três pessoas no solo.
Ironicamente, o PT-MRK fora pintado naquele ano como "Number 1" em alusão ao prêmio de melhor companhia de aviação regional do mundo concedido pela revista "Air Transport World".

Como sempre acontecem com os grandes acidentes aéreos--principalmente aqueles que ocorrem no meio da cidade, onde a mídia tem acesso imediato--o triste evento foi superexplorado por uma imprensa habitualmente pouco objetiva e muito mal-informada. O cenário, já normalmente difícil para restabelecer um delicado relacionamento entre a TAM e uma opinião pública ainda muito sensibilizada, levou muito tempo para ser normalizado. O acidente do vôo 402 funcionou como uma âncora para estigmatizar o jato holandês. O Fokker 100, e, naturalmente, o seu operador, quase não deixavam as manchetes dos jornais, envolvidos em uma seqüência de eventos, com vitimas em alguns casos. Como era de se esperar, cada novo "incidente", de uma variada lista, era pintado com as cores mais sombrias.É apenas justo admitir que o perverso leque de acontecimentos foi muito superior--tanto em número como seriedade--do que se verificava com outros jatos comerciais em congêneres nacionais e especialmente estrangeiros.


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